ELA QUER TUDO




Em períodos de 1986 o conceito de uma mulher negra saindo com três homens ao mesmo tempo era bastante ousado, subjetivamente a novidade do conceito, por mais empoderador que ele fosse, se dilui aos poucos na série de mesmo nome lançada em 2017.
Existe uma tendência de louvar uma arte negra por ser negra. A maioria dos negros pode se identificar com a famosa frase que a atriz americana (Issa Rae) disse no tapete vermelho do Emmy: "Estou torcendo por todos os negros". No passado, representações autênticas de pessoas negras criadas por pessoas negras tinham de ser excepcionais para receber algum elogio na indústria da TV e do cinema. Às vezes, qualquer forma de representação é sentida como uma vitória, e qualquer crítica a ela parece uma traição. Mas talvez este seja um bom momento para refletirmos um pouco sobre como elogiamos e como criticamos a arte negra.
Nessa nova versão, filmada no bairro de Fort Greene, no Brooklyn, (Nola Darling) é uma millennial negra com N maiúsculo, orgulhosa de suas origens. "Sou pró-sexo, poliamorosa e pansexual", nos conta Nola sentada em sua cama icônica, a Loving Bed, o único lugar onde ela faz sexo com seus parceiros rotativos. "Eu me considero anormal. Mas quem quer ser como todos os demais?"
Uma série com senas fortes de sexo, revela sobre a sexualidade feminina negra, mas apenas nominalmente. Na verdade, tem pouco a dizer sobre a sexualidade feminina negra, e menos ainda sobre pessoas que não seguem o modelo heterossexual nem o binarismo de gênero. Nola não é tanto uma artista negra feminista de 20 e poucos anos, pró-sexo, poliamorosa e pansexual que vive no Brooklyn; é mais a idéia de uma mulher assim. Nesse sentido, "Ela Quer Tudo" é um intenso exercício de suspensão de descrença. Precisamos acreditar, por exemplo, que Nola Darling desfruta da companhia de qualquer dos caras estranhos que ela namora (com a exceção, talvez, de Mars Blackmon).
E precisamos acreditar que a arte de Nola, embora perfeitamente boa, é tão incendiária e inovadora quanto é apresentada no mundo da série. (O melhor do trabalho dela vem na forma da campanha de rua #MyNameIsnt  *Meu Nome Não É*, baseada no projeto Stop Telling Women To Smile (pare de dizer para as mulheres sorrirem), lançado por Tatyana Fazlalizadeh, em 2012. Nola – e, de fato, todos ao seu redor – fala por meio de hashtags, se veste como uma afropunk e faz constantes referências à cultura pop e a filmes que deveriam parecer sofisticadas e refinadas, mas que acabam sendo aleatórias e supérfluas. (Em dois momentos da série, ela repreende os amantes por nunca terem ouvido falar dos filmes Laços de Ternura e Coisas Belas e Sujas, que não são nada desconhecidos).
Certamente te prenderá a atenção em boa parte de toda a trama, pelo diálogo envolvido, acredito também por contar uma história com a qual você não está familiarizado.
Está aqui indicado pois a olhos de um telespectador mostrou beleza e singularidade, a forma como diferentes gêneros de arte e música são colocados durante toda a trama, mostrando personagens, que não são perfeitos mais que no final revela de fato uma sociedade moderna em mente e arte.
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